sábado, 14 de abril de 2012

O Batman no cinema: 3 diretores, 3 visões


Introdução

O Batman é um personagem que foi criado na década de 1930 para uma série de quadrinhos da DC Comics e acumula fãs desde então, recebendo adaptações para a TV em forma de desenho animado e um seriado nos anos 60, que originou também um filme em 1966. Entretanto, para esta série de postagens vou me deter às adaptações do Grande Morcego para o cinema a partir de 1989, que são produções com maior investimento, repercussão e que estão na memória da maior parte das pessoas.
Costumo dizer que o Batman sempre foi meu super-herói favorito por dois motivos principais: primeiro porque, dentre os mais conhecidos, ele é o único que não tem super poderes, o cara é, basicamente, muito rico, muito dedicado e muito inteligente. Viajou o mundo, estudou muito, aprendeu todas as artes marciais, etc... mas enfim, o segundo motivo pra ser o meu favorito é que o Batman tem, sem dúvida nenhuma, os melhores vilões DE TODOS. Consideremos que o que o Batman em geral tem de insosso, os vilões têm de chamativos, atraentes e marcantes. Não é a toa que esses personagens (como o Coringa, a Mulher Gato e a Hera Venenosa) estão entre os mais copiados, reproduzidos e reinterpretados nas mais diversas mídias, formas de arte e festas a fantasia (risos) pelo mundo a fora. Eles se destacam tanto que saem da figura de meros coadjuvantes (como é comum dentre os vilões em Superman, Homem-Aranha e outros heróis) e passam a ser o centro das atenções ao longo das narrativas, se tornando às vezes (muitas vezes) mais interessantes que o protagonista.

Diante de tantos outros aspectos pra falar, para as coisas ficarem mais ordenadas e o texto menos cansativo, falarei um pouquinho das adaptações para o cinema de cada diretor e depois das impressões gerais. Assim, estando divido, você não precisa nem ler tudo de uma vez se não quiser. ;p


Parte 1: O pioneirismo de Tim Burton
Parte 2: O decepcionante Joel Schumacher
Parte 3: Anos 2000 e a ambição Blockbuster

Parte 1 – O pioneirismo de Tim Burton

Da série: O Batman no cinema: 3 diretores, 3 visões
Filmes:
Título no Brasil: Batman 
Título original: Batman
Direção: Tim Burton
Ano: 1989

Título no Brasil: Batman - O Retorno
Título original: Batman Returns
Direção: Tim Burton
Ano: 1992



Em ambos, Michael Keaton como Batman/Bruce Wayne

Embora o Batman tenha recebido uma adaptação para o cinema em 1966, esta foi originada de uma série de TV e não é uma produção considerada relevante, pelos poucos investimentos aplicados e ser quase descompromissado. Foi na década de 80 que a Warner Bros assumiu a produção dos filmes desse personagem e investiram pesado na empreitada, chamando para assumir a direção o criativo Tim Burton, que até então só tinha repercussão por seu trabalho em “As Grandes Aventuras de Pee-Wee”(Pee-Wee’s Big Adventure, 1985) e “Os Fantasmas se Divertem” (Beetle Juice, 1988), dois filmes bastante diferentes da proposta para o Batman.
Os dois primeiros filmes dedicados a esse personagem, embora evidenciem estéticas diferentes, vêm legitimar que tudo que é mostrado pela lente de Tim Burton tem uma pitada poética e fantasiosa, que eu particularmente gosto muito. Então reservo o meu direito de ser tendencioso e afirmar que estes dois filmes são os meus favoritos dentre todas as produções cinematográficas inspiradas no Homem Morcego.
No quesito vilões, o primeiro trouxe Jack Nickolson interpretando brilhantemente o complexo e emblemático personagem que é o Coringa e “Batman – O Retorno” é temperado com dois vilões igualmente interessantes e memoráveis: a Mulher Gato e o Pinguim, interpretados por Michelle Phifer e Danny DeVito que cumprem exemplarmente o papel dos vilões do Batman, o de ser uma personalidade forte e instigante, balanceando o estabilidade e solidez do morcegão.
Ressalto aqui as diferenças do aspecto visual de um filme pra outro, pois enquanto o Batman de 1989 é mais seco, polido e tem mais a cara das grandes produções dos anos 80, o de 1992 se permite mais imaginativo e incomum, valendo lembrar que entre essas duas produções, Burton dirigiu “Edward Mãos de Tesoura” (Edward Scissorhands, 1990) que parece ter influenciado a segundo franquia do Batman em aspectos como o trabalho com a cor, o preto-e-branco, as letras, as espirais, o couro, etc.
Assim, com bons roteiros, bons atores e uma equipe muito competente, Tim Burton nos apresenta, como é de costume, narrativas que se desenvolvem de forma fluida e atraente, sem esquecer de deixar espaço para a criatividade e imaginação dos espectadores, como tem que ser em filmes sobre super heróis.

Parte 2 – O decepcionante Joel Schumacher


Da série O Batman no cinema: 3 diretores, 3 visões


Título no Brasil: Batman Eternamente 
Título original: Batman Forever
Direção: Joel Schumacher
Ano: 1995


Val Kilmer como Batman/Bruce Wayne


Duas pessoas salvaram este filme: Nicole Kidman e Jim Carrey. E por pouco nem o talento e beleza estonteante dela e a figura do vilão-cômico muito bem feito por ele como O Charada salvaram o todo, simplesmente porque o todo é fraco. No enredo, o Batman mais sem graça de todos e váaarios elementos que deixaram muito a desejar. 
Ainda restou um pouco da estética do Tim Burton, que é o produtor do filme, sendo perceptível nos cenários e figurinos um resquício do seu legado por serem não-convencionais e bonitos de ver. Mas, ainda que relativamente agradável, faltou no filme a densidade que o Batman tem que ter. Faltou profundidade. Dá a impressão de que o filme todo foi feito só pra cumprir uma obrigação, com sequências que prendem a atenção mas ficam sempre no superficial. Um filme pra se assistir, mas sem esperar muito.

Título no Brasil: Batman & Robin
Título original: Batman & Robin
Direção: Joel Schumacher
Ano: 1997



George Clooney como Batman/Bruce Wayne

Certamente o filme mais “Sessão da Tarde” de todos inspirados no Batman. Aqui o Príncipe das Trevas se parece mais com um pop star ou ídolo adolescente. Não tem trama psicológica, não tem lado sombrio. É tudo superficial, polido, cheirando a loção pós-barba e no formato certo pra agradar quem não faz questão de filmes com alguma profundidade.
Filme que me lembro bem de assistir várias vezes na sessão televisiva de filmes quando era criança e hoje ao revê-lo sou da opinião de que ali é mesmo o lugar certo pra ele.
Talvez o que faltou nesse filme tenha sido o brilho que Jim Carrey, Tommy Lee Jones e Nicole Kidman deram à edição anterior da franquia, ou o que sobrou foi a picaretagem e má atuação do Arnold Schwarzenegger e o ar de galã-conquistador-barato de comédia romântica que o George Clooney sabe fazer melhor do que ninguém, mesmo quando acaba por estragar um personagem que não tem (ou não era pra ter) nenhuma dessas feições, que ninguém nunca imaginaria pro Batman.
Uma Thurman está DESLUMBRANTE como a Hera Venenosa, e ao mesmo tempo que me pergunto o que ela está fazendo num filme tão ruim, agradeço por ela estar, porque esta personagem é, talvez, o único elemento não vergonhoso deste filme e certamente o único que confere algum charme a ele e o coloca em patamar de comparação aos vilões de alto nível das histórias do Homem Morcego.
Não vou nem me alongar falando da presença do Chris O'Donnell nesses dois filmes dirigidos pelo Joel Shumacher. Pra mim, ele desfez completamente a imagem que eu tinha do Robin, senti que esse personagem ficou reduzido a um rosto bonito, a fazer um papel de figurante wannabe protagonista e atrair adolescentes virgens pro cinema (quase um Jacob, só que 10 anos antes de Crepúsculo). Mas ok, eu prometi que não ia falar mais.
Só quero deixar claro que não tenho (quase) nada contra o diretor Joel Shumacher, até porque ele dirigiu “O Fantasma da Opera” e "Número 23", trabalhos no mínimo respeitáveis. Mas NÉ? O trabalho dele com O Batman tinha potencial pra ser nível “Oscar” mas ficou no nível Lindsay Lohan. Lastimável.

Parte 3 – Anos 2000 e a ambição Blockbuster

Da série O Batman no cinema: 3 diretores, 3 visões


Filmes:

Título no Brasil: Batman Begins
Título original: Batman Begins
Direção: Christopher Nolan
Ano: 2005





Título no Brasil: Batman – O Cavaleiro das Trevas
Título original: The Dark Knight
Direção: Christopher Nolan
Ano: 2008


Em ambos, Christian Bale como Batman / Bruce Wayne

Nos anos 2000, depois de deixarem o personagem um bom tempo na geladeira devido ao fracasso da produção anterior, os estúdios Warner Bros voltaram com o Batman, apostando alto num formato de MEGA produção, fazendo o “Batman Begins” (2005) parecer quase mais um daqueles filmes “vendidos” de Hollywood, mas só quase. Felizmente, esses dois longas de Christopher Nolan têm um grande trabalho de direção, comparáveis ao filme “A Origem” (Incepton, 2010), outra produção de destaque assinada por esse diretor. 
Nolan deu uma roupagem pra história muito diferente dos outros filmes sobre o Batman e conferiu uma outra visão sobre o personagem principal, com uma carga mais densa e dramática, principalmente em “O Cavaleiro das Trevas” (2008), que deu margem pra análises, discussões e devaneios em geral sobre a psique dos personagens, seus distúrbios, seus traumas e especialmente a dualidade herói/bandido que fica bastante explícita em alguns momentos e é um carro-chefe da proposta toda, exaltando como trunfo a incontestavelmente brilhante atuação de Heath Ledger como o Coringa.
Entretanto, acho que sou a única pessoa que conheço que não gosta do Christian Bale interpretando o Homem Morcego. Desde o "Batman Begins", a dicção, a expressão facial e a postura do ator em cena de forma geral nunca me convenceram completamente. Não vejo nada de errado em as pessoas gostarem, a final o Christian Bale é um bom ator, mas ele como o Batman não me agradou nem atendeu as minhas expectativas com o personagem.

Enfim, embora o diretor Christopher Nolan não conquiste toda a minha simpatia, é evidente que ele produziu dois filmes muito bons sobre o aclamado ídolo dos quadrinhos, conseguindo atingir grande sucesso de bilheteria sem abrir mão da carga psicológica que esse personagem carrega e exige. Respeitou os fãs antigos e suas memórias, conquistando também novos espectadores.

Tudo isso pra falar que são grandes as expectativas para “Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge” (The Dark Knight Rises) que tem sua previsão de lançamento pra julho deste ano e está gerando alto grau de especulações. A responsabilidade é grande e ser igual ou superior ao filme antecessor é o maior desafio pro diretor, mas Nolan já mostrou que tem competência e está muito bem amparado por um elenco talentosíssimo, que inclui Marion Cotillard, Tom Hardy e Anne Hathaway. Resta aguardar e conferir se essa galera toda vai de fato fazer jus à saga do Homem Morcego, que já é uma das mais interessantes, conturbadas e comentas da história do cinema.

sábado, 23 de julho de 2011

E nasce a lenda: Amy Winehouse

Eu estava extremamente otimista quanto a carreira, a vida pessoal e aos sonhos de Amy Winehouse, mas confirmando os votos e as previsões de muitos, a praga dos 27 anos* não a deixou escapar.

http://youtu.be/lqSKVv6YO8g
Esta versão acústica de "Valerie" foi o primeiro vídeo que vi dessa grande artista, em 2007. Me lembro bem do quanto me impressionei com a voz dela nessa música e depois em todas as outras. A verdade que havia em suas letras e interpretações me emocionaram e sempre me emocionarão.

Vá em paz, Amy. E saiba que não será pelas polêmicas e momentos ruins, mas pela sua brilhante produção artística e personalidade única que você sempre será lembrada.

De um eterno fã.


*com "praga dos 27 anos" lembro do grupo de grandes nomes da música que morreram com essa mesma idade, entre eles:
Janis Joplin, Jimi Hendrix, Jim Morrisson e Kurt Cobain.  

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Burlesque - Steve Antin, 2010

Como segundo post escolhi falar sobre outro filme. Assisti hoje no cinema e... bom, tenho algumas coisas pra dizer.  :P

Título Original: Burlesque
Título no Brasil: Idem
Direção: Steve Antin
Ano: 2010
Duração: 119 minutos


IT TAKES A LEGEND...
    Em resposta às críticas feitas à Cher, devo dizer que não a vi tão "canastrona" e "congelada" como alguns têm dito. De fato, as expressões em seu rosto já não são as mais comoventes de sua carreira, mas ela desempenha seu papel com muita competência e a maturidade que - sem dúvida - ela tem, amparada pelos seus 63 anos de idade e apresentando uma ótima forma física e vocal. You Haven't Seen The Last Of Me é realmente uma linda canção - merecidamente vencedora do Globo de Ouro - e a cena dedicada a ela ficou muito bem localizada e bem feita, sendo o ponto mais alto de Cher no filme.

...TO MAKE A STAR.
    Já Christina Aguilera me pareceu supreendentemente boa. Eu realmente não esperava uma grande atuação - e não foi - mas sem dúvida foi um ótima estréia no cinema de alguém que desde menina está mais acostumada a interpretar somente canções, e não personagens. Ela está absolutamente deslumbrante com sua beleza e boa forma física (da qual talvez esteja sentido saudades hoje, ou não), sendo bastante competente no quesito atuação e - óbvil - no quesito voz. Seu timbre explosivo já conhecido foi muito bem utilizado em ótimas regravações e algumas canções originais, e este ponto - a cantora favorecendo a atriz - é o que mais gostei e o que  certamente garantiu seu posto de "a estrela"  do filme. 

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Crítica geral:
     Pelo que sei, foi a estreia do diretor no cinema, pois ele só havia feito videoclipes até então. Pensando nisso, parece fazer sentido algumas questões técnicas do filme, como as cenas unicamente musicais serem ótimas (como You Haven't Seen The Last of Me, But I Am a Good Girl e Show Me How You Burlesque), mas as entrecortadas por outras cenas ficarem um pouco falhas (como Somethings Got a Hold on Me e Bound To You).
     Outro aspecto é o andamento do filme, que veio confirmar a impressão que eu já tinha antes: a trilha sonora, embora seja ótima e tenha o mérito de grande parte das canções serem originais, é muito curta. Dez músicas não conseguiram segurar as duas horas de filme, havendo até uma parte específica que eu achei particularmente "lenta", com um desenvolvimento quase cansativo. 
     Nota 10 para os figuros (desconsiderando o vestido verde em Bound To You), 8 para a maquiagem, e o cenário... bom, este quesito sim não traz nada de supreendente ou muito chamativo, a não ser as grandes letras de Burlesque no último número, que funcionaram muito bem com o restante do conjunto para um ótimo encerramento do filme, mas aí já era o final e tarde demais para me impressionar.  =P
     Esses "erros" podem fazer com que Burlesque realmentre não entre para o hall dos grandes musicais, daqueles obrigatórios, "pra se ver antes de morer". 
     Finalizando, Burlesque atendeu às minhas espectativas, me agradou, mas não me surpreendeu ao ponto de dar aquele "UAU", como grandes filmes fazem. Como costumam dizer alguns fãs em lançamentos de novos singles e videoclipes, está "just ok."
   Talvez seja um filme feito mesmo para os fãs do burlesco e principalmente das cantoras-atrizes principais. Aqueles que aguardaram ansiosamente pelo filme, que há meses já conheciam toda a trilha sonora e até parte dos números musicais... 
     Portanto eu, como fã, gostei. Pois apesar de alguns "buracos", o filme me empolgou, me fez cantar, e eu até acompanharia algumas coreografias (se não estivesse sentado na poltrona). Mas consigo imaginar e projetar isso para os não-fãs, e compreender os motivos pelos quais eles podem não ter gostado.

    Isso me leva ao questionamento: o cinema pleno é aquele universal, que dialoga com todo mundo (ou quase), com variadas idades e gostos. 
Mas... o cinema precisa ser SEMPRE universal?

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Cisne Negro (Black Swan) - Darren Aronofsky, 2010

Bom, como o Filmow* me deixou na mão esta noite, achei que publicar minha opinião sobre esse filme aqui (e não lá) seria uma forma digna de estrear meu blog, que eu criei há um bom tempo mas estava esperando sei-lá-o-que para publicar algo nele.

Então fazendo as honras da casa e desvirginando esta página, ei-lo:

Título Original: Black Swan
Título no Brasil: Cisne Negro
Direção: Darren Aronofsky
Ano: 2010
Duração: 107 minutos

Acabei de assistir no cinema e o que eu tenho que dizer é que o filme é brilhante. Fotografia, figurinos, atuações, maquiagem, efeitos visuais, a trilha sonora de Tchaikovsky... tudo funcionou muito bem formando um conjunto fantástico.

É um filme incrível, empolgante, sedutor, surpreendente e o final é... chocante. Foi assim que fiquei: completamente embasbacado e me afundando na cadeira do cinema. Com a mão na boca e pensando "meu deus". Fiquei completamente absorvido por aquela sequência final e quando acabou demorei alguns segundos pra conseguir retomar a consciência do meu corpo e me levantar da cadeira. Só grandes filmes são capazes de fazer algo assim, senti que a mágica do cinema se concretizou ali. 
Eu só diria que achei o filme um pouco curto, observando que em alguns momentos teriam potencialidade para serem ainda mais grandiosos.

Mas absolutamente e com toda certeza valeu muito o valor do ingresso e ainda mais, com certeza vou querer comprar quando sair em DVD, porque Cisne Negro é  como uma daquelas caixinhas de música, uma jóia pra se adimirar e querer ter em sua estante.

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*Caso não conheça, o Filmow é um site sobre cinema, onde você pode comentar sobre filmes, marcar os que você já viu, o que quer ver, os que NÃO quer ver e os seus favoritos. Além de poder adicionar amigos, enviar recados, etc. Procure conhecer, é muito interessante: www.filmow.com